A expectativa precede o ato. Primeiro chega o som dos tambores. Depois vêm os farricocos sob a luz das tochas, cobertos com seus capuzes, expressivos, fortes, numa procissão que simula a perseguição à Jesus. Como imaginar uma cerimônia religiosa tão tradicional sobrevivendo nesse mundo seco e escasso de fé?
É justamente isso que instiga a comoção. Enquanto os farricocos andam pelas ruas seguidos da multidão, imagino estar na época em que tudo aconteceu. A fúria do povo contra um homem que inverteu a ordem, revirou e escancarou as hipocrisias, as misérias, as injustiças. Não podia ter outro fim senão o ódio daquelas pessoas. Caminho e penso que não evoluímos muito. Nossa mesquinhez...... Me reencontro com a gerandeza Dele.
De repente, começo a perceber as manchas que surgem em meio a procissão. Homens, mulheres e suas incontáveis máquinas e câmeras e microfones, empurrando as pessoas que tentavam assistir à encenação, expressão da sua fé e da sua cultura. Isso pouco importa. Querem a melhor tomada, o close perfeito, a entrevista certa, mesmo que seja interrompendo a senhora que escuta a homilia.
O êxtase que estava se aproximando cessa. Não consigo concentrar. São muitos flashs! Lembrei-me da passagem em que Jesus arrasa com os mercadores do templo. Como quis que ele reaparecesse para espantar aqueles abutres! Me lembro também de como Jesus insistiu nessa história de perdão. Melhor abstrair.
Obrigada meninas por serem apaixonadas pelo bom da vida

Um comentário:
Fé na vida, vontade de viver (muito e intensamente à lá Dona Terezinha), fé em Deus e Pé na Tábua!!!!
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