quarta-feira, março 22, 2006

Remo,rimo,chego ao nada

Em alguns momentos eles se mostram
Tortos, simples, curtos.
Experimentando rimas
Ocupando páginas
Porque poemas?
Não nos obrigam a nada.


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É uma questão de maestria
Dou esta vida, e Você guia
Mas não consigo. Tamanho apego
Dou momentos. Dou problemas
Lágrimas, desejos.
Mas não a dou por inteiro.


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Terei sido, noutra vida, puta?
Vai, lua, me esclareça isso
Do que será ou do que tenha sido
Assim me conformo ou então suicido

terça-feira, março 21, 2006

“A nós descei divina luz......"

Quando eu pensei esse buraco negro, eu prometi recontar algumas histórias provindas da cozinha de minha casa em Minas. Aquele espaço miudinho, cercado dos azulejos quadriculados e do cheiro temperado da comida. Como que num ritual sagrado, lá ninguém come sozinho, não se pode discutir na mesa e há sempre um tempo de conversa fiada enquanto descascam-se as laranjas. Ali pudemos ouvir as histórias mais cabulosas, os desabafos mais sinceros e as visitas mais inusitadas.

Meu pai gostava sempre de contar a famosa história do terço. O caso deu-se com minha avó, uma senhora baixinha, negra, afetuosa e que tinha no rosto as expressões mais fidedignas de alguém que sofreu um bocado na vida. Quando esta se mudou para a cidade, televisão era uma das mais recentes invenções. Ali residia o universo ainda muito desconhecido que fascinava os telespectadores. No ar, a memorável novela “O Pantanal” da Rede Manchete de Televisão. Aquela novela da Juma Maruá, a mulher que vira onça e por aí vai.

Ocorre então, que numa sexta-feira, vizinhos e parentes reuniram-se na casa da vó para a reza do terço. As imagens no banco de madeira, as rosas no copinho de água, os terços de contas azuis e as rezadeiras em torno do altar. Partimos para as intenções. Viagem, ponte de safena, emprego, gravidez e aquele mundaréu de coisa. Eis que no fim, minha vó declara a preocupação que a atormentava, digna de ser lembrada nas intenções: Pelas famia lá do Pantanal, gente. Pra ês pará com essas matança, essas brigaiada, Deus podia iluminar o coração deles....

Ah, não teve respeito que resistisse à ingenuidade de Dona Maria. Todo mundo danou-se a rir e tentar explicar que aquilo lá que ela via, as mortes, as brigas, a história eram mentira, encenações, trem inventado.

Ela não se conformou. Rezou o terço contrariada, pensando: “Ara, gente, quem havia de brincar com essas coisa”.

sexta-feira, março 03, 2006

Retórica

Tudo começou
com uma brincadeira sem graça
“Quem é você?”
O outro encucou
E fez-se a desgraça

Verídico

Por falar em Chico Buarque, descobri uma coisa hilária nessas férias: ele tomou um porre na minha cidade junto a uns boêmios e um padre na porta da catedral de Sto Antônio. É mole?! Descobri por acaso conversando com meu pai sobre um show do Roberto Carlos na praça, muito antigamente em que o mulherio desmaiou e tal. Daí ele lembrou desse episódio. Numa certa Festa do Milho o Chico foi cantar na cidade. Quando acabou o show , ele tinha feito amizade com dois senhores que eram chegados à uma farra. Daí entre uma dose e outra ( de uísque) passaram pela zona da cidade e foram parar na porta da igreja onde terminaram o porre com o Pe. Almir, uma personalidade da cidade. Até que o empresário o encontrou, deu um esporro nos marmanjos e o arrastou para outro show em Uberaba (vejam bem, ar ras tou, porque segundo os companheiros de porre com quem eu conversei, ele não queria ir de modo algum) . Parece conversa, mas é verídico!

quinta-feira, março 02, 2006

Carnavalizar


Chego com as músicas do Chico na cabeça....."eu tenho tanta alegria adiada, abafada, quem dera gritar, tô me guardando pra quando o carnaval chegar". E eu que nada tinha pra carnavalizar depois de um ano estranho, oco, insípido....
Nosso carnaval nas ladeiras, nas ruas inundadas de gente. Isso é que eu chamo de festa popular! No ritmo da Bartucada ou de outros sons como forró, trance, rock, funk todo mundo era só swing, batucada e ginga.
E dizem que quem faz a festa é a companhia...então tá explicado. Que galera pertubada era aquela, minha gente? Um mais figura que o outro. O Pirulito com sua malinha de brinquedim....a sessão depoimentos, a bateria dos Unidos da 481 : "Casa 481, Rua do Fogo", o bloco vip " Oca, oca tem gente na pipoca", o Juvenal e o Macaco Velho que pegaram geral " au au au eu peguei o Juvenal", as cariocas sem noção, a gente sem água, submetidos às maiores provações, dormindo com pé sujo ( shampoo não lava o pé, shampoo não lava o pé), limpando copo com guardanapo, escovando o dente com copinho, trocando banho por cerveja e achando tudo divertido. Talvez fosse a anestesia alcoólica....
E claro tinha que aparecer os alopradinhos, com aquelas camisetas, bandeiras, emblemas e acessórios. Alguns com maior destaque tipo uma galera com Pogobol, aquele óculos do Chaves com canudinho, certidão de casamento, " Diga não ao toco e diga sim, pra mim", camisetas tipo "Salva as lindas, (atrás) afoga as feias", Faça sexo com segurança, (atrás) Segurança". Altos investimentos!
Na cidade até drogaria virou boteco e o carnaval rolou 24 por dia, uma ressaca curando a outra. De repente a chuva que lavou a cidade e minha alma. Quase 4 horas pulando incansavelmente sob um toró dos diabos. Tudo pra escutar uma música de Jorge Ben, Funk como le gusta, Maria Rita, O Rappa, Trem da Alegria, Djavan e, óbvio, os "axezão" das antigas.....E na volta uma purificação dos ouvidos a la Vanessa da Mata, Chico e Zélia...."eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar, tô me guardando pra quando o carnaval chegar".