O harley achou graça quando cheguei na faculdade lacrimejando e desatei a chorar nos ombros dele, e ele, sem reação, tentando entender aquilo, me perguntando o que eu tinha e eu disse, "eu espero que seja tpm, não sei. acho que passo muito tempo feliz, tem hora que preciso chorar". ele achou graça disso. porque com todo mundo é o oposto. talvez tenha herdado isso da minha mãe. e, ao contrário do que muita gente pensa, não é aquela coisa produzida de ter que ser feliz o tempo todo. isso dá até um embrulho no estômago. enjoa mesmo. tem mais a ver com ser mais simples com a vida. e chorar é isso. é desaguar a tristeza no momento que ela vem. cara feia também é isso, uma expressão instantânea de desgosto. e rir é uma comemoração dos breves instantes. afinal, de que vale conter-se?
sexta-feira, setembro 29, 2006
quarta-feira, setembro 27, 2006
Eu não sei bem por onde começar. Eu também não sei bem o que eu esperava dessa viagem para aldeia. Talvez uma cura miraculosa. Talvez um desvio de atenção. Confesso que agora estou um pouco deformada com tanto pensamento. O encantamento tem dessas coisas. Mas vamos ao que precisa ser dito. No meio do cerrado, imersos na areia seca e entre as árvores retorcidas, moram os índios krahô. Foi lá que fomos parar, com nossos entulhos e apetrechos de sobrevivência. Uma viagem longa, cruzando o Rio Tocantins e passando pelas estradas mais precárias. Do primeiro encontro, nada muito abrupto. Eles, já bem acostumados com a presença das branquelezas, nem estranham como nós. Falam nosso português, mas entre eles só a língua mãe, o que lhes permite falar o que quiserem sem que entendamos nada. Adotaram algumas manias nossas de relógio, energia, água encanada, banda Calypso e muita roupa (o que é uma pena, porque naquele calor, tudo que eu mais queria era me desnudar).
Vivem numa situação de miséria (segundo nossa concepção), pouco plantio, muitas bocas. São reféns de um assistencialismo típico da piedade colonialista e já comungam das relações de troca dos homens “civilizados”. Isso, claro, teceu um nó gigantesco em nossa cabeça, porque queríamos de uma forma ou de outra os índios dos nossos livros. Queríamos que eles não soubessem das coisas, queríamos a ingenuidade, a vida simples, porque nutrimos uma espécie de nostalgia do primitivo (e quer primitivismo maior que a fome?). Eis, então, a primeira decepção, que veio acompanhada de um sentimento de culpa por achar que interferimos na cultura deles. Mas a interferência não acontece a todo instante? Cultura não é essa coisa louca, dinâmica e antropofágica, que deglute costumes, hábitos, idéias e vai agregando experiências? Não vou entrar nessa questão, porque só tenho formulações. Muitas coisas mudaram. Outras permanecem. Na língua, nos cantos, nos ritos, na “rotina”, no trato, nos olhares fixos com qual nos encaram ou encaram a objetiva da câmera sem pudor algum. Aliás, um olhar carregado de uma força que não se explica. A nossa incumbência, nessa viagem, era levar os aparatos técnicos de registro e comunicação interna. Sem muita cerimônia, eles se entrosaram com aquela parafernália de máquinas e gravadores digitais e computadores e aparelhagens. E, de repente, surgiam filmando os rituais de cantorias, as corridas de toras, fotografando mulheres, crianças, numa atitude muito comovente, mas que contraria o nosso desejo velado de que eles não se contaminem com a nossa mentalidade. Preocupação compreensível, porém, tardia e talvez até desnecessária, porque o processo corrosivo de dominação que se iniciou com a invasão dessa terra e foi se disseminando Brasil afora é irreversível. O pouco que se pode resguardar e manter vivo, já parece muito.
ps: foto provisória....aguardem as outras
sexta-feira, setembro 15, 2006
não entrasse em descompasso.
não fosse no embalo da dança.
quem dera fosse bolero, valsa, tango.
mas é samba meu coração.
desenho de Glenda Jung - www.ciberarte.com.br
quinta-feira, setembro 14, 2006
Destilado recomendável

o almoço era para a imprensa diplomada, mas me atrevi a participar. Entrei com toda discrição e, enquanto esperava os dicursos terminarem, encontrei seu manoel, um senhor simpático, bonachão, com uma feição das mais sinceras e uma leveza de quem come muito e sem culpa. conversamos um tempo a respeito do estabelecimento até que ele, percebendo que as falas iam se delongando, me cedeu a um garçom. fui levada para um harém de comilanças, quibes, charutos, esfirras, kafka, carneiro...e depois dessa farra, fui procurar o seu manoel para agadecer. me serviu um bom café, continuamos conversando e mencionei os vinhos do canto do restaurante. ele, então, chamou o filho, um rapaz gentil como não se vê mais. me levou para o canto, onde estava a adega. nem me fiz de rogada. disse que tinha muita curiosidade de saber sobre vinhos, por que uns são mais recomendados que outros e essas coisas. ele foi explicando que gostava mais de vinhos franceses e portugueses porque eram menos ácidos que os chilenos, me mostrou um varietal francês (que é quando o vinho é feito somente com um tipo de uva) de uvas malbec e outro português chardonnay. depois mostrou um brasileiro feito de cabernet e merlot. mostrou também uns macetes para saber se o vinho é bom, como fundo da garrafa ser mais fundo, o teor alcoólico variar entre 11% e 14%, pois isso indica que não foi fermentação do açúcar (por isso que os vinhos suaves são mais fáceis de serem ruins. suavidade é disfarce! sempre pensei sobre isso...). disse também sobre uma espécie de selo de qualidade que eles trazem, uma frasezinha do tipo: "Destilado recomendável" ou "Destinado à recomendação". (claro, me esqueci!) e por fim convidou-me para voltar e experimentá-los, que é a melhor maneira de conhecer os vinhos. sem querer mencionar finanças naquele momento tão sofisticado, disse que iria aguardar uma boa ocasião!
quarta-feira, setembro 13, 2006
salsa, baixos e paixões
"Es un pedazo del alma que se arranca sin piedad"

Sete de setembro. Acordo atrasada, preguiçosa e saio levando a ressaca comigo. As ruas já estão prontas para o desfile. Não gosto dessas come-morações. Perdi meu senso cívico lá no primário. Só me vem uma boa sensação de estar em guerra ou na ditadura. Depois sinto vergonha do que pensei.
Engraçado que, quando tenho alguma desavença comigo, a viagem para casa é sempre melhor. No colo levo Trilogia suja de Havana e, enquanto leio os relatos de Gutierrez, volta aquela sensação de indigência, bate uma nostalgia desgraçada. Suspeito que é só uma “boemia sem razão de ser”. Mas não importa. Leio durmo, leio durmo contrariando os conselhos de Chico de que “inútil dormir que a dor não passa”. Chego. Na rodoviária está tocando uma música antiga do Tim Maia e logo a cidade me apreende. A cidade fria de música dissolvente. Havia uma saudade qualquer.
Em casa esqueço os problemas, minhas indecisões, meu orgulho ferido e essa merda toda. Brasília tem hálitos que me refrescam. São muitos sotaques e eu endoideço com essa variação. Fomos pra livraria e invoquei com a sessão de poesia. Gosto de procurar poemas que eu já conheço. Depois achei meio forçado e perdi a graça. Quando íamos embora, sem querer achei um DVD do filme Buena Vista Social Club quase de graça. Nessas horas fico mística, porque não acredito em coincidências. Me enchi de respeito, como quando lia Guimarães.
O filme move minha inércia e me deixa com a garganta emperrada. Salsa, baixos e paixões. Volta o desejo de um amor para me desfolhar em versos!
Em casa esqueço os problemas, minhas indecisões, meu orgulho ferido e essa merda toda. Brasília tem hálitos que me refrescam. São muitos sotaques e eu endoideço com essa variação. Fomos pra livraria e invoquei com a sessão de poesia. Gosto de procurar poemas que eu já conheço. Depois achei meio forçado e perdi a graça. Quando íamos embora, sem querer achei um DVD do filme Buena Vista Social Club quase de graça. Nessas horas fico mística, porque não acredito em coincidências. Me enchi de respeito, como quando lia Guimarães.
O filme move minha inércia e me deixa com a garganta emperrada. Salsa, baixos e paixões. Volta o desejo de um amor para me desfolhar em versos!
sexta-feira, setembro 01, 2006
Térreo
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