Se continuar dormente
A vida pode entediar-se.
Como dizer que não lutei
Se meu desejo foi o mais árduo combatente?
Voltarei a ser constante
Matrona de todos os instantes
Lúcida, serei fiel a mim mesma
Pois, para haver o sonho
Os olhos se fecham de alguma maneira
terça-feira, abril 18, 2006
Veneno Antimonotomia
Não. Muito longe de ser um manifesto da “solteira convicta”, queria apenas buscar os pontos comuns, conciliando percepções captadas nas convivências interessantes da vida. É, me despertei para o amor múltiplo. O "amar e desamar" de Drummond, a liberdade de se prender a muitas pessoas, de se deixar levar, de dizer não e sim, sem cerimônias! Percebo tantas pessoas cansadas de relacionamentos difíceis, casamentos sem sentido, namoros saturados. A institucionalização do amor.....Inevitável. E sinceramente não consigo digerir os relacionamentos abertos.
Por essa e outras que resolvi só amar. Uns e outros e o próximo. Quero as histórias, horas de conversa, beijos displicentes, olhares provocantes, abraços cada vez mais fortes e quero por muito tempo ainda. Não precisa ligar no outro dia. Nem precisa explicações. Simples assim. Sem muito apego.
Por essa e outras que resolvi só amar. Uns e outros e o próximo. Quero as histórias, horas de conversa, beijos displicentes, olhares provocantes, abraços cada vez mais fortes e quero por muito tempo ainda. Não precisa ligar no outro dia. Nem precisa explicações. Simples assim. Sem muito apego.
E pode ser triste, pode não ser correspondido, pode ser complicado, mas ao menos estamos sentindo. Sentindo..... E claro, essas relações abrigam os amigos e apenas amigos, amores platônicos, amores insanos, amores casuais, enfim, o objeto de amor é o que menos importa. “Somos aquilo que amamos e não a quem amamos”. Importa permanecer nas pessoas, impregnados na memória, no imaginário coletivo.
Texto dedicado aos amigos “bon vivants” de BSB que inspiraram tudo isso aí!
Texto dedicado aos amigos “bon vivants” de BSB que inspiraram tudo isso aí!
quinta-feira, abril 13, 2006
Querosene, pés descalços e muita fé
A expectativa precede o ato. Primeiro chega o som dos tambores. Depois vêm os farricocos sob a luz das tochas, cobertos com seus capuzes, expressivos, fortes, numa procissão que simula a perseguição à Jesus. Como imaginar uma cerimônia religiosa tão tradicional sobrevivendo nesse mundo seco e escasso de fé?
É justamente isso que instiga a comoção. Enquanto os farricocos andam pelas ruas seguidos da multidão, imagino estar na época em que tudo aconteceu. A fúria do povo contra um homem que inverteu a ordem, revirou e escancarou as hipocrisias, as misérias, as injustiças. Não podia ter outro fim senão o ódio daquelas pessoas. Caminho e penso que não evoluímos muito. Nossa mesquinhez...... Me reencontro com a gerandeza Dele.
De repente, começo a perceber as manchas que surgem em meio a procissão. Homens, mulheres e suas incontáveis máquinas e câmeras e microfones, empurrando as pessoas que tentavam assistir à encenação, expressão da sua fé e da sua cultura. Isso pouco importa. Querem a melhor tomada, o close perfeito, a entrevista certa, mesmo que seja interrompendo a senhora que escuta a homilia.
O êxtase que estava se aproximando cessa. Não consigo concentrar. São muitos flashs! Lembrei-me da passagem em que Jesus arrasa com os mercadores do templo. Como quis que ele reaparecesse para espantar aqueles abutres! Me lembro também de como Jesus insistiu nessa história de perdão. Melhor abstrair.
Obrigada meninas por serem apaixonadas pelo bom da vida
terça-feira, abril 11, 2006
Mais valia
Hoje recusei um emprego, quer dizer, um estágio. Ai consciência, preconceito, romantismo da porra! Mas adianta? Está incutido. Nunca quis os lugares comuns. Quando comecei esta história de Comunicação, queria era trabalhar na Cultura, queria era escrever para a Caros Amigos, queria era fazer um documentário sobre questões sociais polêmicas. Síndrome da pseudo-hippie engajadinha. Ilusão...
O mundo é mais real que isso. Para começar fiz Jornalismo, que segundo meu pai, é o curso daqueles que falam de tudo, mas não sabem de nada. Daí você conhece muita gente despradonizada , o que é ótimo para reeducar o pensamento domesticado. Mas são tantos que se contentam e se conformam ou apegam às idéias já gastas reproduzindo ecos. (Nessas horas imagino Marx gritando do além “Pela Santa Revolução, leiam outros pensadores, ampliem o pensamento, modifiquem. Ou ao menos leiam meus livros por inteiro para não ficar reproduzindo discurso. Ah, e por obséquio, pede pro pessoal parar de fazer camiseta em série do Che Guevara. O que é isso, minha gente?”).
O mundo é mais real que isso. Para começar fiz Jornalismo, que segundo meu pai, é o curso daqueles que falam de tudo, mas não sabem de nada. Daí você conhece muita gente despradonizada , o que é ótimo para reeducar o pensamento domesticado. Mas são tantos que se contentam e se conformam ou apegam às idéias já gastas reproduzindo ecos. (Nessas horas imagino Marx gritando do além “Pela Santa Revolução, leiam outros pensadores, ampliem o pensamento, modifiquem. Ou ao menos leiam meus livros por inteiro para não ficar reproduzindo discurso. Ah, e por obséquio, pede pro pessoal parar de fazer camiseta em série do Che Guevara. O que é isso, minha gente?”).
O problema é que essa história de maniqueísmo entra na cabeça ao longo dos anos. É uma desgraça para o ser humano porque acaba conduzindo o pensamento e impedindo de olhar o mundo com suas contradições, longe de ser simplista. Essa insistência em achar que as minorias, a esquerda e os estudantes são do bem e a elite, a Rede Globo, e a direita são do mal....Antes fosse. Seria menos complicado. Mas não é.
Desses poucos e insuficientes anos numa federal ( que atualmente parece a 19º temporada da malhação, com algumas e louvadas exceções) pude ver que a solidez, não existe e definir o mundo para poder torná-lo mais administrável não resolve. Hoje, quando recusei ir trabalhar no Radar, programa goiano de entretenimento filiado a Rede Globo, só pensava na escolha, a primeira de tantas. Poderia ser mais sensata, aceitar o trampo, ganhar minha grana, alegrar minha família que já investiu tanto nessa pessoa e afinal de contas ter no meu currículo: produção do programa Radar, Rede Globo, plin, plin! Mas não consegui. Não consegui fazer vista grossa e esquecer o romantismo que ainda perdura em mim. Com isso, perdi o emprego, continuo sem grana, mas a sensação de liberdade alivia.
Desses poucos e insuficientes anos numa federal ( que atualmente parece a 19º temporada da malhação, com algumas e louvadas exceções) pude ver que a solidez, não existe e definir o mundo para poder torná-lo mais administrável não resolve. Hoje, quando recusei ir trabalhar no Radar, programa goiano de entretenimento filiado a Rede Globo, só pensava na escolha, a primeira de tantas. Poderia ser mais sensata, aceitar o trampo, ganhar minha grana, alegrar minha família que já investiu tanto nessa pessoa e afinal de contas ter no meu currículo: produção do programa Radar, Rede Globo, plin, plin! Mas não consegui. Não consegui fazer vista grossa e esquecer o romantismo que ainda perdura em mim. Com isso, perdi o emprego, continuo sem grana, mas a sensação de liberdade alivia.
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