sábado, junho 30, 2007

Episódio número um


Depois da minha sábia decisão de não sofrer mais por porcarias, tudo mudou! Obviamente não houve nenhum processo quântico que fizesse sucumbir os meus típicos problemas. Isso até nem ajudaria tanto, porque preciso mesmo é encará-los. Mas fui tragada por uma tranquilidade e um humor - às vezes negro, devo assumir - que me deram um ânimo novo! Explico:

1° - café colonial. meia luz. eu de chale. um vinho não muito bom ...

- Então, o que acontece é que ... (delonga) minha ex namorada me procurou e.... (mais delonga)
- que ótimo, você ainda gosta dela, né?! E como vcs estão?
- é complicado, eu gosto, mas gosto do que tivemos, não do que estamos tendo.

por dentro uma vontade forte de rir que contive em respeito ao seu drama. rir por todas às vezes que escutei essa semelhante história. rir da minha própria infelicidade (ou felicidade talvez). rir da capacidade incrível que tenho para perder as pessoas. parece que elas não tem onde se agarrar

2° - 13:13. horário de almoço. telefone. atendo

- alô
- (voz grave e extremamente sedutora) oi, tudo bem? Liguei pra saber se você está bem. Ontem foi meio estranho. Estou meio confuso e ...
- (risos) ei, relaxa um pouco. Eu não preciso de explicações. Me deixa (vi)ver as coisas do meu jeito. E você ..viaje, vá cantar no lar dos velhinhos, faça seu ebó, seu axé, sua fé que eu tô indo nessa! Sorte para nós todos!

sábado, junho 23, 2007

Mas não há de ver que consegui espantar a FREGUESIA! Pois chega de lero lero e pornografia! Estou publicamente abandonando meu lado dramalhão e me embrenhando pelos recônditos pântanos do mundo racional. Acorda, menina! O amor não é isso que você pensa não! Não tem vida fácil. Ou é amargura ou prostituição. É isso! Meu coração está prostituído! E agora?! Como tirá-lo desse calçadão?! Pior é que a gente ama. O pior é isso. Você se esforça, junta os cacos, diz que não, dá de forte, fica dura, pra depois cair de amores pelo primeiro basbalhão. E você me dizendo que tava ruim de paixão, olha eu, criatura! Daqui a pouco vou me rifar em qualquer festa de São João!

sábado, junho 09, 2007

sobre quando não se tem nada a dizer

mais uma vez ela vem imponente, súbita e sempre incompreensível. desperta todos os porquês silenciados pela necessidade de seguir com a vida. vem deitar sua sombra sobre os dias mais cheios de sol, forjando lágrimas e vazios que nada ou ninguém pode amenizar. Esfria a alma de toda ardência que é existir. E diante da dor em perder uma vida, vê-la terminada ou interrompida, impotentes nos silenciamos e vamos nos recompondo para não deixarmos de existir ainda vivos.

quarta-feira, junho 06, 2007

processos físicos



Foi então que comecei a implicar com as coisas mais banais. Bastava um adesivo de alguma igreja nos carros ou um casal aos beijos debaixo de um sol quente, para uma irritação tomar-me por inteira. Das pessoas eu nem digo, porque nunca senti um desejo tão real de estrangulá-las, dar-lhes bofetões inacabáveis ou sacudí-las nervosamente .
Tornei-me ácida, crítica, rude, estérica, impaciente e consequentemente insuportável. Claro que para tudo tinha explicação. Se passava a época da tensão pré-pós-durante a menstruação, era a porra da monografia. Se não podia mais me queixar de ninguém, o problema era a falta de grana. E assim seguia com meus surtos e meus ódios muito bem alimentados.
Até que li um monólogo del titiritero de banfield que curou-me de todo o mal. O texto se ocupava em reverenciar Galileu pela sua capacidade de pensar o contrário das coisas. Sim, porque enquanto todo mundo acreditava que o sol girava em torno da terra, ele simplesmente pensou o contrário. Aí é que está: mudar o referencial. Experimentar os cantos, o teto, a porta e abandonar lugares comuns. Entortar a cabeça, virá-la pra baixo ou simplesmente fechar os olhos e ficar um pouco a sós com a imaginação.