
Afinal, o que há de tão fabuloso nisto tudo? O ponto que nos liga, no qual culminamos. A simplicidade mais bem vinda e ao mesmo tempo repugnada pela nossa complexa existência. É isso que “O fabuloso destino de Amèlie Poulain” capta. Sensações compartilhadas por nós em experimentar as pequenas delícias do corpo, as curiosidades mais absurdas que guardamos, nossa capacidade de inventar criar, nesse processo de reconhecimento do Outro, que acaba sendo o nosso próprio reconhecimento ( Que Levinás não me ouça). Cenas singelas (não na técnica que aliás mostra o minucioso trabalho de diretor, roteirista e cia ltda), diálogos de expressões, clichês dosados e nas horas certas. A história da exótica( e solitária) Amélie Poulain que resolve esmiuçar as vidas alheias para tentar ajudar as pessoas. Nisso, descobre a fragilidade das criaturas frente às lembranças de infância, os desejos particulares de cada um, o quê gostam e ou detestam e também suas decepções e amarguras. E num processo simultâneo a personagem vai descobrindo a si mesma. “Estranho o destino dessa jovem privada dela mesma, porém tão sensível ao charme discreto das coisas simples da vida”.
De repente passo a detestar quem aponta as pessoas que ainda acreditam em alteridade, em amor como sendo ridículas ou ingênuas. Mas por outro lado, entendo justamente o que nos faz deslumbrar diante da severidade e do pessimismo de Bukowiski ou diante da emoção e paixão de Vinícius de Moraes, por exemplo. Eles falam de nós. De tudo que nós somos, embora nem sempre gostemos de ser. Isso é o que nos atrai. Quando falam de dor, de morte, de indignação, de ausência, de saudade, de perda, nos reconhecemos. Da mesma forma quando falam de prazer, de amor, de sensibilidade, de fantasia, de coragem. Somos mesmo essa amálgama de personagens atormentados. E justamente por isso não há só nossa amargura estampada do lado de fora.
Numa conversa com uma pessoa,(dessas muito autênticas que realmente não se importa com a opinião alheia), chegamos à seguinte conclusão: A vida é sim um filme. Lógico! Quantas histórias dariam roteiros invejáveis. A merda é que, o quê vemos em duas horas, demoram lá seus 80 anos para concluir. E o meu final eu quero mais alegre que o da Hilda Hislt, por exemplo, que embora tenho sido uma das escritoras mais fodas que conheço, terminou sua vida com um monte de gato. Eu quero estar rodeada de pessoas.
Nota: isso remete à um comentário de Ferreira Gullar no filme Vinícius.....mas aguardemos
De repente passo a detestar quem aponta as pessoas que ainda acreditam em alteridade, em amor como sendo ridículas ou ingênuas. Mas por outro lado, entendo justamente o que nos faz deslumbrar diante da severidade e do pessimismo de Bukowiski ou diante da emoção e paixão de Vinícius de Moraes, por exemplo. Eles falam de nós. De tudo que nós somos, embora nem sempre gostemos de ser. Isso é o que nos atrai. Quando falam de dor, de morte, de indignação, de ausência, de saudade, de perda, nos reconhecemos. Da mesma forma quando falam de prazer, de amor, de sensibilidade, de fantasia, de coragem. Somos mesmo essa amálgama de personagens atormentados. E justamente por isso não há só nossa amargura estampada do lado de fora.
Numa conversa com uma pessoa,(dessas muito autênticas que realmente não se importa com a opinião alheia), chegamos à seguinte conclusão: A vida é sim um filme. Lógico! Quantas histórias dariam roteiros invejáveis. A merda é que, o quê vemos em duas horas, demoram lá seus 80 anos para concluir. E o meu final eu quero mais alegre que o da Hilda Hislt, por exemplo, que embora tenho sido uma das escritoras mais fodas que conheço, terminou sua vida com um monte de gato. Eu quero estar rodeada de pessoas.
Nota: isso remete à um comentário de Ferreira Gullar no filme Vinícius.....mas aguardemos

