Algumas situações da vida humana são hilárias. E alguns seres humanos que passam pela nossa vida então... Estava lembrando-me das senhoras que passaram roupas lá em casa nos últimos 15 anos. Foram figuras interessantíssimas da minha infância e adolescência. Nas tardes de terças sempre tinha companhia. Era passar pela varanda e lá vinham elas puxando um assunto ou outro. E quando o tema era política.....
A primeira (de que me lembro) era uma senhora um pouco mais velha que havia sido abandonada pelo marido. Quando este bateu as botas, foi obrigada a dividir a casa, a única herança do marido, com a amante do dito cujo. Ficou mais esperta depois desse episódio. Tornou-se muito dissimulada e ciumenta. Quando as coisas não corriam bem, simulava choros, fazia escândalos ou dizia estar doente para ser ajudada. E se não desse certo tais táticas, revidava com sua frase clássica “Vocês não gostam de pobre”. Na época das eleições da 89, ela era eleitora convicta do Collor e, às vezes, discutia com meu pai, que, como bom operário era Lula. Alegava que era um pecado não votar em um homem tão simpático. Depois de dois anos, por causa de um presidente simpático que foi “impeachamado”, dispensamo-la e ficamos muito tempo sem passadeiras por problemas de ordem financeira.
Anos depois veio outra senhora muito querida pela família. E como era caprichosa. Era uma terapia vê-la passar as camisas de uniforme de meu pai. Passei tardes inteiras conversando e escutando suas histórias. Certa vez, por ocasião da reeleição do Fernando Henrique, tentei explicar-lhe sobre a postura neo-liberal, o desastre das privatizações e os erros da gestão de FHC. De nada adiantou, é claro, as minhas explicações e ela ainda lançou um argumento para o qual eu não tive réplica. “Ah, meu bem, eu vou votar nele mesmo, porque desde que ele ganhou, todo dia a gente tem comido carne em casa”. Complicado. Para o Lula, então, ela deve ter feito até campanha, pois com esse projeto Fome Zero.....Meses depois, ela descobriu uma doença de chagas em seu coração e não poderia mais trabalhar. Foi uma perda irreparável.
Muitas outras vieram depois dessa. Houve uma, por exemplo, que era irmã de um candidato a vereador. Essa não gostava muito de política, mas sabia que se o irmão ganhasse, não precisaria mais passar roupa. Outra,veio anos depois. Não tocava muito nesse assunto de política, mas sabia aplicar bem as estratégias quando lhe eram conveniente.
Até minha tia foi parar na tábua de passar lá de casa. Como tinha reformado a casa e contraído muitas dívidas, o jeito era fazer uns “bicos”. A tia Jovita era do tipo eleitora de “quem dava mais”. Quanto maior o favor, maior a campanha. Também não admitia que falassem do Collor, porque ele foi o presidente mais bonito que o Brasil já teve. Ultimamente, andou apelando para o Lula, já que as dívidas ainda não foram pagas.
Essas foram minhas companheiras (não sei se cai muito bem essa expressão. Pode ter um cunho político) de discussões, com as quais passei boa parte das minhas terças. Hoje quem passa a roupa em casa é minha mãe, que, com toda a sua sabedoria política, sabe que quando a coisa aperta a solução é cortar gasto.
Nota: Estive semana passada com a primeira passadeira lá de casa. Amasiou-se com um antigo namorado, também viúvo e contou-me que a amante do falecido morreu “Engraçado que achei ruim quando recebi a notícia. Éramos até amigas” Não fala mais de política.
A primeira (de que me lembro) era uma senhora um pouco mais velha que havia sido abandonada pelo marido. Quando este bateu as botas, foi obrigada a dividir a casa, a única herança do marido, com a amante do dito cujo. Ficou mais esperta depois desse episódio. Tornou-se muito dissimulada e ciumenta. Quando as coisas não corriam bem, simulava choros, fazia escândalos ou dizia estar doente para ser ajudada. E se não desse certo tais táticas, revidava com sua frase clássica “Vocês não gostam de pobre”. Na época das eleições da 89, ela era eleitora convicta do Collor e, às vezes, discutia com meu pai, que, como bom operário era Lula. Alegava que era um pecado não votar em um homem tão simpático. Depois de dois anos, por causa de um presidente simpático que foi “impeachamado”, dispensamo-la e ficamos muito tempo sem passadeiras por problemas de ordem financeira.
Anos depois veio outra senhora muito querida pela família. E como era caprichosa. Era uma terapia vê-la passar as camisas de uniforme de meu pai. Passei tardes inteiras conversando e escutando suas histórias. Certa vez, por ocasião da reeleição do Fernando Henrique, tentei explicar-lhe sobre a postura neo-liberal, o desastre das privatizações e os erros da gestão de FHC. De nada adiantou, é claro, as minhas explicações e ela ainda lançou um argumento para o qual eu não tive réplica. “Ah, meu bem, eu vou votar nele mesmo, porque desde que ele ganhou, todo dia a gente tem comido carne em casa”. Complicado. Para o Lula, então, ela deve ter feito até campanha, pois com esse projeto Fome Zero.....Meses depois, ela descobriu uma doença de chagas em seu coração e não poderia mais trabalhar. Foi uma perda irreparável.
Muitas outras vieram depois dessa. Houve uma, por exemplo, que era irmã de um candidato a vereador. Essa não gostava muito de política, mas sabia que se o irmão ganhasse, não precisaria mais passar roupa. Outra,veio anos depois. Não tocava muito nesse assunto de política, mas sabia aplicar bem as estratégias quando lhe eram conveniente.
Até minha tia foi parar na tábua de passar lá de casa. Como tinha reformado a casa e contraído muitas dívidas, o jeito era fazer uns “bicos”. A tia Jovita era do tipo eleitora de “quem dava mais”. Quanto maior o favor, maior a campanha. Também não admitia que falassem do Collor, porque ele foi o presidente mais bonito que o Brasil já teve. Ultimamente, andou apelando para o Lula, já que as dívidas ainda não foram pagas.
Essas foram minhas companheiras (não sei se cai muito bem essa expressão. Pode ter um cunho político) de discussões, com as quais passei boa parte das minhas terças. Hoje quem passa a roupa em casa é minha mãe, que, com toda a sua sabedoria política, sabe que quando a coisa aperta a solução é cortar gasto.
Nota: Estive semana passada com a primeira passadeira lá de casa. Amasiou-se com um antigo namorado, também viúvo e contou-me que a amante do falecido morreu “Engraçado que achei ruim quando recebi a notícia. Éramos até amigas” Não fala mais de política.

Nenhum comentário:
Postar um comentário