Com a pontinha da língua, vermelhinha e gelada de creme dental, umedeço minhas idéias.
“A única coisa que faço sem pressa, até hoje, é namorar. Namorar e sofrer. Nisto sou mestra e ninguém me passa. Eu mesma não entendo minha enorme paciência de ficar à toa, só pensando e sentindo. Produzo angústia e felicidade. Tenho o dom de combinar fragmentos de qualquer coisa para formar outras, que por sua vez formam outras e outras. Nesse trabalho gasto tempo com gosto”. A.P
Preciso aprender a me regenerar. Ô dificuldade cada vez que as coisas desandam! Pior é esse meu coração, igualzinho um esgoto: cada vez que o obstruem, ele derrama mágoas e mais mágoas antigas. Não é de rir não, mas sai cada tormento remoído, mas cada lembrança fora de moda. Sei pra que serve memória! Se a gente não tivesse, todo dia nascíamos para viver outra vida. A memória só serve para nos fazer sentir vergonha, remorso e saudade. Fica agora esse cheiro de putrefação.
Meu desejo era encará-lo até não poder mais com esses olhinhos apertados e ansiosos que tenho. Depois deslizar a costa das mãos pelo seu pescoço, segurar-lhe os cabelos na nuca, firme, e trazer devagar minha boca ao seu ouvido, respirar calma ali por perto e soltar bem baixinho, com toda sensualidade e sem vergonhice: Minha carne é de carnaval, meu coração é igual! Depois era só encostar os lábios bem devagar, úmidos e precisos, naquela orelha ouriçada. Aí queria ver se ele resistiria.
Um dia fujo e só deixo um bilhetinho e uma fita vhs naquele ponto: deixasse o silêncio que fica entre a gente toda vez que nos encontramos se transformar em outra coisa e olha só no que daria.
.identificação.
É comum encontrarmos pessoas com características, hábitos, jeito, pensamentos que coincidem com os nossos. Claro, não somos tão criativos assim, essa raça humana! E ficamos imensamente ressarcidos de nós mesmos. “Porra, você também foi lá?!”, “ Você também tinha mania de fazer isso?!”. Por isso que tanta gente se casa! Ou fica amigo quase que dependente. Ou acha linda a música que o outro fez. Precisamos carregar todos que lembram quem somos. Com alguma freqüência nos confundimos com eles. Deixamos que eles se manifestem por nós, preferimos o dele ao nosso. Por isso muita gente descasa. Ou briga feio. Ou desiste da vida que tem.
“A única coisa que faço sem pressa, até hoje, é namorar. Namorar e sofrer. Nisto sou mestra e ninguém me passa. Eu mesma não entendo minha enorme paciência de ficar à toa, só pensando e sentindo. Produzo angústia e felicidade. Tenho o dom de combinar fragmentos de qualquer coisa para formar outras, que por sua vez formam outras e outras. Nesse trabalho gasto tempo com gosto”. A.P
Preciso aprender a me regenerar. Ô dificuldade cada vez que as coisas desandam! Pior é esse meu coração, igualzinho um esgoto: cada vez que o obstruem, ele derrama mágoas e mais mágoas antigas. Não é de rir não, mas sai cada tormento remoído, mas cada lembrança fora de moda. Sei pra que serve memória! Se a gente não tivesse, todo dia nascíamos para viver outra vida. A memória só serve para nos fazer sentir vergonha, remorso e saudade. Fica agora esse cheiro de putrefação.
Meu desejo era encará-lo até não poder mais com esses olhinhos apertados e ansiosos que tenho. Depois deslizar a costa das mãos pelo seu pescoço, segurar-lhe os cabelos na nuca, firme, e trazer devagar minha boca ao seu ouvido, respirar calma ali por perto e soltar bem baixinho, com toda sensualidade e sem vergonhice: Minha carne é de carnaval, meu coração é igual! Depois era só encostar os lábios bem devagar, úmidos e precisos, naquela orelha ouriçada. Aí queria ver se ele resistiria.
Um dia fujo e só deixo um bilhetinho e uma fita vhs naquele ponto: deixasse o silêncio que fica entre a gente toda vez que nos encontramos se transformar em outra coisa e olha só no que daria.
.identificação.
É comum encontrarmos pessoas com características, hábitos, jeito, pensamentos que coincidem com os nossos. Claro, não somos tão criativos assim, essa raça humana! E ficamos imensamente ressarcidos de nós mesmos. “Porra, você também foi lá?!”, “ Você também tinha mania de fazer isso?!”. Por isso que tanta gente se casa! Ou fica amigo quase que dependente. Ou acha linda a música que o outro fez. Precisamos carregar todos que lembram quem somos. Com alguma freqüência nos confundimos com eles. Deixamos que eles se manifestem por nós, preferimos o dele ao nosso. Por isso muita gente descasa. Ou briga feio. Ou desiste da vida que tem.

