quarta-feira, abril 18, 2007

Molhando o bico da caneta.

Com a pontinha da língua, vermelhinha e gelada de creme dental, umedeço minhas idéias.

“A única coisa que faço sem pressa, até hoje, é namorar. Namorar e sofrer. Nisto sou mestra e ninguém me passa. Eu mesma não entendo minha enorme paciência de ficar à toa, só pensando e sentindo. Produzo angústia e felicidade. Tenho o dom de combinar fragmentos de qualquer coisa para formar outras, que por sua vez formam outras e outras. Nesse trabalho gasto tempo com gosto”. A.P


Preciso aprender a me regenerar. Ô dificuldade cada vez que as coisas desandam! Pior é esse meu coração, igualzinho um esgoto: cada vez que o obstruem, ele derrama mágoas e mais mágoas antigas. Não é de rir não, mas sai cada tormento remoído, mas cada lembrança fora de moda. Sei pra que serve memória! Se a gente não tivesse, todo dia nascíamos para viver outra vida. A memória só serve para nos fazer sentir vergonha, remorso e saudade. Fica agora esse cheiro de putrefação.

Meu desejo era encará-lo até não poder mais com esses olhinhos apertados e ansiosos que tenho. Depois deslizar a costa das mãos pelo seu pescoço, segurar-lhe os cabelos na nuca, firme, e trazer devagar minha boca ao seu ouvido, respirar calma ali por perto e soltar bem baixinho, com toda sensualidade e sem vergonhice: Minha carne é de carnaval, meu coração é igual! Depois era só encostar os lábios bem devagar, úmidos e precisos, naquela orelha ouriçada. Aí queria ver se ele resistiria.


Um dia fujo e só deixo um bilhetinho e uma fita vhs naquele ponto: deixasse o silêncio que fica entre a gente toda vez que nos encontramos se transformar em outra coisa e olha só no que daria.

.identificação.

É comum encontrarmos pessoas com características, hábitos, jeito, pensamentos que coincidem com os nossos. Claro, não somos tão criativos assim, essa raça humana! E ficamos imensamente ressarcidos de nós mesmos. “Porra, você também foi lá?!”, “ Você também tinha mania de fazer isso?!”. Por isso que tanta gente se casa! Ou fica amigo quase que dependente. Ou acha linda a música que o outro fez. Precisamos carregar todos que lembram quem somos. Com alguma freqüência nos confundimos com eles. Deixamos que eles se manifestem por nós, preferimos o dele ao nosso. Por isso muita gente descasa. Ou briga feio. Ou desiste da vida que tem.

sábado, abril 07, 2007

sai ziquizira, sai!

“Isso não vai prestar”. Óbvio. Mas adianta falar?! Para uma pessoa privada de certos prazeres, sempre em processo de recomeço, em conflito constante, com um nível avançado de perturbação, adianta recomendações?! (ok.menos) Semana santa é sempre assim. Fico meio grog, meio perturbada (de novo?). Acho que é o fluxo de energias. Para se ter uma noção, desde o início do feriado tenho crises de choro. Não que eu chore, mas tenho vontade. Fico vendo minha irmã em desavenças conjugais e tenho desejos súbitos de escutar música alta. Pintei as unhas de vinho, quebrei o jejum, marquei sozinha um encontro e assisti quase inteira a série de Os Normais. No mínimo é indício de maus tempos. Ai, o ser humano é uma merda. Pior é que eu estava indo bem. Daí, depois da viagem pra São Paulo, putz, a coisa desandou. Fiquei reflexiva outra vez. Merda! Isso não são horas de perder tempo escrevendo em blog ou procurando músicas curandeiras.
"Sempre que te vejo assim
linda nua e um pouco nervosa
minha velha alma
cria alma nova
quer voar pela boca
quer sair por aí"
ZB