quarta-feira, junho 06, 2007

processos físicos



Foi então que comecei a implicar com as coisas mais banais. Bastava um adesivo de alguma igreja nos carros ou um casal aos beijos debaixo de um sol quente, para uma irritação tomar-me por inteira. Das pessoas eu nem digo, porque nunca senti um desejo tão real de estrangulá-las, dar-lhes bofetões inacabáveis ou sacudí-las nervosamente .
Tornei-me ácida, crítica, rude, estérica, impaciente e consequentemente insuportável. Claro que para tudo tinha explicação. Se passava a época da tensão pré-pós-durante a menstruação, era a porra da monografia. Se não podia mais me queixar de ninguém, o problema era a falta de grana. E assim seguia com meus surtos e meus ódios muito bem alimentados.
Até que li um monólogo del titiritero de banfield que curou-me de todo o mal. O texto se ocupava em reverenciar Galileu pela sua capacidade de pensar o contrário das coisas. Sim, porque enquanto todo mundo acreditava que o sol girava em torno da terra, ele simplesmente pensou o contrário. Aí é que está: mudar o referencial. Experimentar os cantos, o teto, a porta e abandonar lugares comuns. Entortar a cabeça, virá-la pra baixo ou simplesmente fechar os olhos e ficar um pouco a sós com a imaginação.

2 comentários:

Anônimo disse...

Gracinha gente...é o orgulho da Tia Cris !!! bjimmmm

Unknown disse...

grande titiritero

e quem disse que bonecos não têm vida...