terça-feira, abril 11, 2006

Mais valia

Hoje recusei um emprego, quer dizer, um estágio. Ai consciência, preconceito, romantismo da porra! Mas adianta? Está incutido. Nunca quis os lugares comuns. Quando comecei esta história de Comunicação, queria era trabalhar na Cultura, queria era escrever para a Caros Amigos, queria era fazer um documentário sobre questões sociais polêmicas. Síndrome da pseudo-hippie engajadinha. Ilusão...
O mundo é mais real que isso. Para começar fiz Jornalismo, que segundo meu pai, é o curso daqueles que falam de tudo, mas não sabem de nada. Daí você conhece muita gente despradonizada , o que é ótimo para reeducar o pensamento domesticado. Mas são tantos que se contentam e se conformam ou apegam às idéias já gastas reproduzindo ecos. (Nessas horas imagino Marx gritando do além “Pela Santa Revolução, leiam outros pensadores, ampliem o pensamento, modifiquem. Ou ao menos leiam meus livros por inteiro para não ficar reproduzindo discurso. Ah, e por obséquio, pede pro pessoal parar de fazer camiseta em série do Che Guevara. O que é isso, minha gente?”).
O problema é que essa história de maniqueísmo entra na cabeça ao longo dos anos. É uma desgraça para o ser humano porque acaba conduzindo o pensamento e impedindo de olhar o mundo com suas contradições, longe de ser simplista. Essa insistência em achar que as minorias, a esquerda e os estudantes são do bem e a elite, a Rede Globo, e a direita são do mal....Antes fosse. Seria menos complicado. Mas não é.
Desses poucos e insuficientes anos numa federal ( que atualmente parece a 19º temporada da malhação, com algumas e louvadas exceções) pude ver que a solidez, não existe e definir o mundo para poder torná-lo mais administrável não resolve. Hoje, quando recusei ir trabalhar no Radar, programa goiano de entretenimento filiado a Rede Globo, só pensava na escolha, a primeira de tantas. Poderia ser mais sensata, aceitar o trampo, ganhar minha grana, alegrar minha família que já investiu tanto nessa pessoa e afinal de contas ter no meu currículo: produção do programa Radar, Rede Globo, plin, plin! Mas não consegui. Não consegui fazer vista grossa e esquecer o romantismo que ainda perdura em mim. Com isso, perdi o emprego, continuo sem grana, mas a sensação de liberdade alivia.

Um comentário:

Pedro Palazzo Luccas disse...

Lori, parabéns minha filha. Escolha corajosa.