quinta-feira, agosto 28, 2008

Abertura

Congresso internacional do medo, 27 de agosto de 2008

Segundo alguns estudiosos espalhados pelo mundo (não sei quem, porque nem sei se essa informação procede) o medo é uma sensação necessária ao nosso corpo para que saibamos nos proteger e reagir nas situações de perigo. Por exemplo, amar é algo bastante perigoso. Sexo também. Então providenciamos o medo que é pra nos proteger da desilusão. Tudo conceitualmente explicado torna a vida mais fácil, certo? Ótimo. Outro exemplo. Sofrer é um inferno e pode ser também muito perigoso, então desenvolvemos a publicidade para acreditarmos no lado Coca-cola da vida. Fica claro que a publicidade também é algo necessário para a nossa existência? Ok.

Isto é importante. Somos seres dotados de muita inteligência e, portanto, conseguimos camuflar o medo em diferentes estilos. Desenvolvemos maneiras sofisticadas de sentir medo sem estar necessariamente numa situação ameaçadora. Os filmes se ocupam muito disso - um brinde ao nosso amado Hitchcock - e alguns meios de comunicação também. Continuando, o medo pode também se transfigurar em religião. E esse talvez seja um dos maiores empreendimentos ligado ao medo, porque trabalha com as hipóteses do depois, justamente aquilo que nós não temos nenhuma chance de compreender. Então, uma boa narrativa e uma boa retórica podem nos transformar em fiéis fervorosos. E medrosos.

Até aí tudo certo. A questão proposta aqui é: de que forma podemos recriar o medo, que como qualquer um de nossos sentimentos, permite ser sublimado ou transformado em qualquer outra coisa. Alguns entrarão em pânico, outros ficarão avessos ou possuídos de ira ou afundados no silêncio ou mesmo engatados no riso e uns perderão a voz ... O medo, "nosso pai e nosso companheiro", é molde para várias outras sensações e este congresso tem por objetivo provocar algumas delas. Muito obrigada.

(minha fala depois de assistir ao espetáculo do grupo Espanca! de Teatro)


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