É visceral, é escatológico, fala-se de bunda, cu, merda, buceta e cuspe e toda a “porra” referente ao que Bakhtin chama de “baixo ventre”, tudo aquilo que é tão nosso como o ato de respirar, e por isso a identificação. Sim, porque mais humano que as rimas ricas são os “versos” podres de Bukowski, Pedro Juan Gutierrez, Augusto dos Anjos, Plínio Marcos.
E por falar no camarada, que puta história! Camelô, artista de circo, ator, escritor, poeta ... tinha que render mesmo um homem desse. Só quem de fato encara o povo, olho no olho, sem falsear, é capaz de dizer desse povo coisas tão incrivelmente duras e bonitas. Plínio Marcos só poderia ter escrito sua obra num país como esse aqui. Não é por acaso que os despossuídos são sempre tema de teatro, tv, cinema, literatura e o diabo. Pobreza vira arte porque a reinvenção e desconstrução de valores nesse universo é incrível demais para passar desapercebida.
E quando vemos no espetáculo aquele policial enfurecido, a mãe que sufoca o filho, a prostituta montada naquele salto de acrílico (esse figurino pra mim é sublime), a dona do buteco copo sujo e seus companheiros, aquele espaço da oficina .... entendemos que a força de um país como nosso só poderia estar nessa gente. O resto é sofisticado demais para caber nesse contexto.

Um comentário:
Muito bom, amiga! Você se dá muito bem com as palavras...
Não é tão duro quanto eu pensei que fosse quando vc me contou, mas acho que é melhor assim!
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