
Ontem, em mais uma das sessões, acabamos descobrindo a doce herança que minha mãe deixou (além de ter inventado histórias horrendas sobre uma tal apresentadora de tv, me salvando de certas idolatrias). Ela sempre se deu muito bem com os homens. Sempre fez sala, fez as vezes da casa, fez a gente e sem muita cerimônia, sempre conseguiu apreendê-los.Compreendê-los. Lembro-me dela rindo alegre nas mesas de truco ou dando conselhos na mesa do café. Sempre muito discreta. Odiava generalizações, do tipo, “homens não prestam” ou “são todos iguais”. Achava despeito. E achava uma puta mentira, afinal eles são deliciosos “pedaços de mau caminho”.Eu também sempre os tive por perto. Gosto de cercar-me deles. Mais ainda. Gosto do que cerca a eles. E gosto deles. Das mãos, grossas, pesadas, ásperas.O cheiro, a pele rígida, a voz grave, o raciocínio, o jeito displicente e objetivo de ver as coisas; a disposição dos sentimentos, a maneira como sofrem, sobem e se deixam cair.

Um comentário:
vc é um bom e eficiente exemplar feminino!
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