
Numa metáfora bem singela, minha vida, nesses últimos doze meses, tornou-se uma caixinha de quinquilharias, tão bagunçada que não consegui fechá-la, não conseguir achar meus pertences e ainda deixei que todo mundo mexesse um pouquinho, roubando coisas que me são de direito. Primeiro, criei expectativas. Achei que nesse ano a guinada ia ser completa. Só que não escolhi o lado. Depois, deixei tudo pela metade. Restos espalhados pela gaveta, emperrando-a; as fotos das pessoas que estimo fui deixando no fundo, porque relembrar só me fazia sofrer. Vi minha eterna companheira de mala e cuia, pegando a estrada e me deixando só. Vi o sofá azul, impregnado de histórias e lembranças das pessoas que amei, ter um fim trágico. Vi meus amigos se casar, mudar de endereço, pegar diploma, ter seus filhos, perder o emprego, se apaixonar. E eu no mesmo lugar. Rezei pouco, blasfemei menos ainda, segurei o riso, o sono, o choro, bebi só socialmente, agi com cautela, adaptei. Me preocupei demais com os outros. Me preocupei demais comigo. Não inventei nenhuma simpatia, não xinguei muito palavrão, não chorei de amor, não fiz planos de vingança, não pedi colo, não catei ninguém pelos cabelos, não comi porcaria, não me tatuei, nem me declarei, nem tomei banho a dois. Meu gráfico esteve constante. E quando mexia na caixinha, o cheiro de mofo vinha me perturbar. Mas nada eu joguei fora. Como a vovó fazia com seu guarda-louça, cheio de páginas de revista, miudezas e a chave de São Pedro.

5 comentários:
Me tatuei. Não é lá grande coisa não viu!
Lori,
Que lindo, nem precisa dizer o quanto me identifiquei, e vi, também resumindo meu ano, apatico, estatico...
E essa reflexos que insistem em nos preturbar todo fim de ano, junto com a promessa de que o proximo sera melhor...
E assim esperamos, mesmo que daqui um ano nossas conclusoes sejam as mesmas...
Mas eis, o eterno ciclo (que as vezes é vicioso) da vida.
Bjos
ê lugar legal,sentimental,poético,filosófico...tudo de bom...pode não parecer,mas sempre apareço aqui...só não sô muito de deixar recado(me desculpe por isso)...parabéns...Ah!e meu gráfico desse ano tbm foi constante!!!
Não é justo falar que foi constante... apesar dos pesares muitas coisas aconteceram... vc conheceu a Bahia, o pelourinho!!! Nossas aventuras tbm não se acabaram apesar da distância... constância não é uma palavra que combina com vc! O que teremos para o ano que vem? África ou Machu Pichu? e ainda a tattoo.. beijos monstros procê!
Não é fácil, mas como diz Drummond a ausência é algo só nosso e a saudade é um sentimento bom que escolhemos ter. Tenho saudade, me pesa a ausência...das pessoas, dos bons momentos, da infância...mas as fases mudam e as fronhas que antes amparavam o choro também vão sendo trocadas e muitas outras ainda virão. Nossos momentos não acabaram e esse ano teve um grande pico no gráfico pois eu descobri mais uma irmã na vida. Lolita, que tanto admiro e que acho uma das mulheres mais lindas que já conheci e melhor, no seu sorriso a presença de outra irmã, pequenina que está um pouco distante, fica mais presente. Te amo do fundo do coração amiga/irmã/ídola minha. Bjo
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