quarta-feira, setembro 13, 2006

salsa, baixos e paixões

"Es un pedazo del alma que se arranca sin piedad"



Sete de setembro. Acordo atrasada, preguiçosa e saio levando a ressaca comigo. As ruas já estão prontas para o desfile. Não gosto dessas come-morações. Perdi meu senso cívico lá no primário. Só me vem uma boa sensação de estar em guerra ou na ditadura. Depois sinto vergonha do que pensei.

Engraçado que, quando tenho alguma desavença comigo, a viagem para casa é sempre melhor. No colo levo Trilogia suja de Havana e, enquanto leio os relatos de Gutierrez, volta aquela sensação de indigência, bate uma nostalgia desgraçada. Suspeito que é só uma “boemia sem razão de ser”. Mas não importa. Leio durmo, leio durmo contrariando os conselhos de Chico de que “inútil dormir que a dor não passa”. Chego. Na rodoviária está tocando uma música antiga do Tim Maia e logo a cidade me apreende. A cidade fria de música dissolvente. Havia uma saudade qualquer.

Em casa esqueço os problemas, minhas indecisões, meu orgulho ferido e essa merda toda. Brasília tem hálitos que me refrescam. São muitos sotaques e eu endoideço com essa variação. Fomos pra livraria e invoquei com a sessão de poesia. Gosto de procurar poemas que eu já conheço. Depois achei meio forçado e perdi a graça. Quando íamos embora, sem querer achei um DVD do filme Buena Vista Social Club quase de graça. Nessas horas fico mística, porque não acredito em coincidências. Me enchi de respeito, como quando lia Guimarães.

O filme move minha inércia e me deixa com a garganta emperrada. Salsa, baixos e paixões. Volta o desejo de um amor para me desfolhar em versos!

2 comentários:

Pororoquinha disse...

Lorena, eu te admiro tanto tanto tanto...

Essas coincidências.. eu tava louca mesmo pra ver esse vídeo... SESSÃO PIPOCAAAAA!!!!

Renato Rocha disse...

Muito bonito esse post.