Meus pensamentos são carcarás, coceira na mente, cutucam as idéias. E foi por isso que inventei de começar esse blog. Agora é manter, né? Com certeza não será sempre atualizado, porque minhas percepções e minhas conclusões pedem tempo, têm seus tempos. Vêm de tempos em tempos.
Hoje por exemplo queria falar de boemia. É uma coisa que tem mexido comigo. Com certeza quem está lendo isso agora já experimentou aquela saudade de um tempo que não vivemos e tal, saudade de uma belle èpoque, de ter tido um dedo de prosa com Sartre, ter escutado Noel Rosa na mesa ao lado, tomado uma cervejinha com Vinícius ou Chico, ter mandado um bilhetinho pra Pagu. Tanta gente pra admirar...Mas não é bem nostalgia o “quê” da coisa.
O quê tem me perturbado é a manutenção dessa herança. Quem serão os grandes escritores de nossa época, os músicos bons de ouvir, os pensadores inquietos e os militantes injuriados? Tem dias que é só curiosidade, mas ás vezes fico pensando se nossa sociedade não é a dos poetas mortos. Exagerado? É porque sinto falta e medo de algumas coisas. O quê havia naqueles tempos que contorcia os pensamentos de alguns homens? Imagino que haja explicações ou ao menos suspeitas.
Na verdade acho que a convivência era uma grande mantenedora das idéias. Os encontros nos bares, as conversas proferidas ao som de um blues baixinho, ou mesmo as reuniões caseiras, as discussões feitas entre umas e outras, tudo era fomento. Numa visão pessimista e reducionista (é, porque sei que ainda existem os que resistem bravamente), tenho a impressão que ficamos com a sobra de ideais passados, com resquícios do que não nos pertence, ao invés de recriarmos e pensarmos uma outra arte, uma outra política, uma outra revolução. Ou nosso contexto pede tudo tão silenciosamente que eu mesma não consiga perceber...
Bem, se a boemia, essa vida cheia de prazeres e inquietações, abrigou há tantos grandes homens, recorramos à ela. Reinventemos.

Um comentário:
Agora entendi o encontrão no Pátio Verde. Aceito o desafio. Reinventemos!
Pedro
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