
Quando me disseram que meu problema era foco, eu acreditei realmente nisso. E declarei: "meu problema é foco". Volta e meia, retomo essa idéia para justificar alguns contratempos. Como o de hoje, quando estava fazendo a sinopse de um documentário do Rimbaud e percebi que não sabia bulhufas do cara, o que significa que estava fazendo um serviço de merda. Fui vasculhar pra ter ao menos o pacote básico de informação wikipedia. Puta ignorância! Aí começo a ficar nervosa e desnorteada, porque das duas opções que eu tinha na vida, ou bonita ou inteligente, sem muita saída, fiquei com a segunda e nessas horas suspeito que, na verdade, nem uma nem outra. E aí bate uma amargura ... que é melhor assumir logo, que pelo menos faço o gênero "realista". Ah! Também não sou nenhuma desgraçada. Mas não dá pra contar só com um bom corte de cabelo. Bem, voltando ao Rimbaud, li que era um cara inquieto, um escritor visionário e fora dos padrões da sua época. Paulo Leminsk (esse eu já conheço, porque é mais popular) disse que se ele fosse vivo hoje seria um músico de rock. Já gostei. E por aí fui entrando na história e aquela sinopse ingrata que não saía, tornou-se outra página, e da página um problema existencial, e do problema esse texto e do texto um alívio. Nesse caso, a falta de foco me revelou algumas de minhas frustrações. Meu problema não é foco, é fuga.

Nenhum comentário:
Postar um comentário