A chamada despertou minha atenção: Ratinho e Zé Celso Martinez juntos numa entrevista no Dois a Um. Fui obrigada a assistir ao Fantástico, aquela voz rídicula do Cid Moreira e depois aquela boboseira de Casamento à moda antiga. Gente, o que é aquilo?! Enfim, entram em cena os entrevistados. O Ratinho com discursos agarrados ao senso comum, uma postura machista e conservadora, característica que ele mesmo assumiu às vezes orgulhoso, outras vezes justificando-se por colocações tão desastrosas. " O MST é capitalista, extremamente, porque eles invadem uma fazenda desapropriam o dono, mas eles passam a ser os donos, eles mandam".
O Zé Celso parecia estar num jantar entre amigos, ficava pensativo, aquele intelectual sacana, com um gestual expressivo e , claro, teatral. Primeira pergunta da Mônica era sobre o grande abismo entre os dois tipos de comunicação exercida pelos convidados e a relação arte/povão. Aí tiveram aquelas argumentações, não é bem assim, isso é típico de um país plural como o Brasil, isso se deve ao grande poder massificador da televisão, o povo também produz arte e por aí vai. Foram.
Mas, o curioso é que todo enfrentamento proposital acaba amistosamente, embora os olhares e pensamentos expressos fossem de pasmo, de desânimo ou de repúdio.
Só alguns trechos para imarginarmos a situação
Ratinho: Eu não consigo fazer coisa séria, eu sou um palahaço, eu trabalhei com circo....Zé (um tanto ironicamente): Nossa que bárbaro, minha escola tem muito de circo!
(...)
Ratinho no seu momento de euforia : A democracia deveria existir, mas no Brasil ela falha...
Zé, interrompendo, no seu momento de meditação: Nossa gente, esse momento, esse encontro, nós três, isso pode ser algo muito importante...
(...)
Zé: então eu estava trabalhando Nelson Rodrigues, um peça....
Ratinho; Ah, o Nelson com seus moralismos...ele era machista pra caramba!
Zé: Não!!!Que isso!?Não, ele era uma moça......
Fiqei imaginando como cada um contou aos amigos sobre esse encontro.

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